Esquizofrénicos “são sempre os outros”
Depois de vários meses de silêncio, a ver romanos deliciarem-se na plateia da arena, enquanto o Sr. Imperador desfere golpes fatais num adversário que envenenou previamente de forma covarde, temos que falar. Começo por reconhecer que o meu Freestyle na rádio universitária foi infeliz. Infeliz porque algumas das pessoas que visei não me tinham feito nada e eu mesmo não tinha nada de significante contra elas. Ainda assim talvez essa não fosse razão suficiente para iniciarem uma campanha tão falaciosa e intriguista contra mim, baseada em argumentos tão mal sustentados como o de eu ser “hater” ou pior “racista”. Este ultimo foi o que mais me tocou porque grande parte da minha luta tem sido precisamente contra esse racismo de que agora me acusam. Por fim engendraram uma ultima campanha para me acusar também do covarde que mandou agredir o Bob da Rage Sense. Vários meses se passaram a assistir ao circo onde cada um disse o que bem lhe apeteceu – a sua verdade. E onde os adolescentes Hip Blogers deliciaram-se pensando estar perante relatos idóneos da “Elite do Hip Hop”, eleita por ela própria sem sufrágio da Hip Hopulacão, recorrendo a mecanismos tão ditatoriais como a filtragem de blogs e outros instrumentos de comunicação, (dignos mais dum Estalinista do que Leninista ou Trotskista, desde há dois dias Humanista). Pergunto se não será do Partido Oportunista, dos camaleões que mudam de cor conforme a situação em que estão. Durão Barroso, Deja Vú. Mas agora, após o ultimo post da Footmovin e do Valete no único e incontestável fabricador de co-opinões da musica Rap em Portugal, é imperativo que outra versão seja apresentada. Outros dirão para que a verdade seja reposta.
Entre uma série de incoerências o Valete fala em dois aspectos – a violência/beef e inveja dos haters, e a intervenção duma suposta extrema esquerda. Vou desenvolver as 2 pela mesma ordem.
1ª parte. Beef: Sim Fuck Valete, caga no Bomba, who is Bob.
Disse que o beef não é uma estratégia dele, mas então no inicio da sua carreira quando ninguém lhe conhecia porque é que beefou o Knowledge One “…Lá voltas tu para o teu ciclone…”. Não foi para sobressair de certeza. Não foi para ganhar visibilidade. Foi só porque realmente tinha algo contra os Rappers que também gostavam de Drum and Bass (que por acaso é um derivado directo do Rap e do Dub). De certeza que nós e TWA não dissemos fuck Valete na mixtape do Kronik por inveja. Já nessa altura tinha dito que o rap não provinha dos mesmos subúrbios que hoje manda atirar sobre a policia. Não é violência é apenas uma metáfora.
Mas mais tarde, na musica “Os Meus”, antes de aparecer na capa dum artigo de fundo com o mesmo Pac Man, puxou uma linha para ele “se eu vendesse tipo Da Weasel, comia bem mais que um Pac Man”. Não é um beef. Apenas metáfora, algo invejosa se comparada aos que hoje ele chama invejosos, “Haterz”. Um dia encontrei o Valete numa sessão de gravação do Bomberjack em Vila Franca de Xira falámos e ficou tudo bem com ele. Nunca mais me ouvi a dizer fosse o que fosse sobre ele.
Lançou o seu álbum e dei-lhe muito respeito porque à semelhança da “Juventude Valetista”, com infiltrações da Juventude Nacionalista, que prestam culto no fórum da Horizontal, também pensei que estava perante um soldado.
Hoje, indirectamente, e ao contrário do que temos feito, vem falar de rappers com carreiras em declínio que se tornam seus haterz porque não há alguém importante que não tenha haterz. Refere-se a mim, entre linhas, como um covarde que nem tem coragem de pôr o meu nome no que diz. E atira-me aos leões famintos do seu fórum. Já vi esse irmão em melhor forma. Sobre o declínio, dou muito mais valor ao meu filho que nasceu, e à minha mãe que estava a morrer, e morreu, do que à carreira de musico. Não tenho papás para me sustentar, trabalho, não preciso da musica para viver, por isso lanço álbuns quando entendo que posso. No entanto devo-lhe dizer - como disse ao Bob no Museu do Traje quando se considerou um rapper de topo por ter 2 álbuns – um rapper não se mede pelos álbuns. Existem por ai muitos álbuns de merda e grandes rappers sem álbuns. No entanto se vierem a Arrentela à noite é provável que me encontrem a dar freestyle com os meus tropas. Isso é Hip Hop, embora não seja considerado pela industria Rap. Não passo a noite a bajular Hip Blogers para “eternizar os meus 15 Minutos de fama”, citando uma amiga. Não me ponho em frente a câmaras sozinho em casa ou com amigos para filmar pseudo-battles, pôr no Youtube e fazer nome visto que na rua ninguém me conhece. Serão, portanto, o Valete e a sua juventude os únicos preocupados com o declínio da sua carreira.
Fez-vos acreditar que comecei a disparatar rimas atoa para ele e o Bomba. Esqueceu-se de vos lembrar de questões que remontam, por exemplo, ao triste episódio de formação da Kombate. A ideia era todas as editoras se juntarem numa e formarem um colectivo que pelo número de produções teria muito mais chance de furar as superfícies e pressionar os media, abrindo também espaço para os novos mcs que emergiam. Formada inicialmente por 5 editoras (Bomberjack, Chullage, Gilbert, Cruzfader, Valete), logo no primeiro pedido de adesão por parte da DreamFlow (Darkface) fomos surpreendidos pelo voto contra do Bomba sob o argumento de falta de qualidade da editora. Quer isto dizer que GMS, Lweji, Dj Link, Lancelot e Bad Spirit não tinham qualidade. Começava-se a formar a dita elite (ainda que inconscientemente). Valete votou posteriormente contra apoiando o Bomberjack. Isto punha por àgua o argumento da Editora comunitária. Após três reuniões conseguimos que a Dreamflow entrasse embora a relação entre estes e Bomberjack nunca fosse saudável. Propusemo-nos a partilhar contactos estratégias, comunicação. Algo que nunca aconteceu. Após o Bomberjack ter recolhido os contactos dos outros saiu. Sem que antes, sob o seu alter-ego “Tiago Ribeiro”, na sua revista “Hip Hop Nation”, tivesse boicotado vários artistas de algumas editoras em prol de outras. Valete, fez o mesmo quando escreveu para a revista Luso-Beat sob pseudónimo. Roubados os contactos, abertas as portas das lojas, foi hora de se revelar. A mesma pessoa que hoje se sente injustiçada no papel de lobo em pele de cordeiro. Varias pessoas que trabalharam para a revista testemunharam a exploração de que foram alvo disponibilizando fotos ou textos a preços três ou quatro vezes mais baixos do que o Bomberjack recebia por eles de Espanha, (quando não era gratuitamente). Como muitos outros, nunca o disseram publicamente, mas confidenciaram a muita gente. Aqui não tenho provas. Pode ser considerado intriga porque as pessoas que me disseram aconchegaram-se na covardia ou no medo. Outras, criticaram-no vivamente para hoje comer na sua mão. É uma empresa privada, não tenho realmente nada a ver, mas assume-te como capitalista. Como dizia alguém no blog da Horizontal (cujo post foi apagado), isto não e intriga é matemática. A diferença entre, reviews, artigos, e destaques de álbuns na revista e no CD da Footmovin/SoHipHop em relação a outros era flagrante. Todos se queixavam, ninguém lhe dizia na cara. Começava a emergir a FootMovin. Dum historial de jogo sujo e uso-capiao dum instrumento que, ainda que privado, poderia ter sido de uso alargado para a comunidade Hip Hop.
A partir dai a nossa relação acabou, pelo menos para mim. Na altura em que preparava a “Poesia Urbana”, Valete convidou-me a entrar e eu recusei, dizendo que não me identificava com o seu trabalho e não estava interessado. Surpresa minha, o Adamastor telefonou-me a dizer que a Horizontal me oferecia 200 euros pelo track. Foi a maior falta de respeito que já senti por parte dum rapper. Como se fosse uma questão de dinheiro, como se eu fosse comprável, e com tão pouco. Por outro lado sei que nem estendeu essa oferta a outros participantes da compilação. Grande comuna!? Respondi que não aceitava e fechámos mais um capitulo.
Já podia ter cuspido várias linhas sobre o Valete de tanto o ver a revolucionar o mundo a partir dum estúdio e dum bloco, sem sentir nenhum efeito dessa revolução. Nunca o fiz e de repente eis o “Serviço Publico com uma linha “ dão-me 16 barras, eu dou-lhes 16 barragens”, é explicito embora ele tenha negado ao telefone. “ Não Chullage sabes que sixteen bars é uma dica universal do rap”. Sim mas “dou-te 16 barras” é uma dica minha. Não o Valete não gosta de beef. Isto o que é. Agora que o beef chegou-lhe à porta quer se afirmar como vegetariano. Já vi muita hipocrisia muito disse, não disse, mas este irmão é um “Character” como ele próprio diz sobre Dead Prez, Public Enemy ou Eminem. As pessoas adoram o que diz que é. Até saberem o que é. Mas este irmão nos últimos sete dias já negou tanta coisa que era que já não sei, o que ele realmente é. Esquizofrénico talvez. Obviamente os doutrinados pelo culto do líder - a Juventude Valetista - não vão ver nada após este texto. Mas, faço a minha parte. Aqueles, e aquelas, que bajulam cada texto do Valete, talvez atrás dum deal ou duma participação para se lançaram na 1ª Liga, não vão ver nada. Vão continuar a escrever “ Muito bem Valete, concordo com tudo o que disseste....blah, blah, blah”. E valete continuará a paga-los com textos promocionais no seu blog. Onde é que vi isso. Na industria musical capitalista. Nos lobbyes que estes “manos andam a criticar desde que estavam no “undagroun” isto para fazer rimar com “ão”. Não. Eu não sou hater desses rappers. Não, porque abomino as suas estratégias. Porque entre o “Menos pão, luz e água” e o “Serviço Publico” ainda não vi uma line que me faça querer ser aquele mc por um segundo. Porque nenhum desses mc´s esta a comer melhor que eu, e no entanto já se venderam. Não irmãos e irmãs, não invejo. Este é, e continuará a ser um beef ideológico e contra a mentira. Continuará a ser porque, agora, e mais que nunca, esses mc´s revelam-se. Falsos, mentirosos, cínicos e covardes.
Quanto ao Bob, todos sabem que nunca lhe toquei. Ele também sabe. Mas nunca se dignou a esclarecer a situação. Porque com esta vitimização nunca foi tão famoso como agora. Por um mês e meio o Bob realizou o sonho de ser o mc mais falado de Portugal. Conseguiu dar a volta e chamar aos irmãos da Cova seguidistas do Chullage. Como se estes não tivessem um cérebro próprio. Confundiu-os, com certeza com os Hip Blogers da “Juventude Valetista”. Posteriormente foi apoiado pelos posts do Bomba e do Fórum da Horizontal. Entretanto ao telefone dizia-me “ eu sei que não foste tu Chullage, mas fala com os manos da Cova, eu não fiz nada”. Ao mesmo tempo, por trás, acusava-me e deixava o Tekilla vangloriar-se como o salvador. REWIND. Contra uma forte contestação da Footmovin por ter artistas de topo com álbuns lançados ao contrário de SoulKrioul, e por isso com legitimidade para tocar em horário nobre tocámos no dia 12 às onze horas.. Isso só me foi dito depois por um dos organizadores. Tocámos, e ao sair do palco vem o Bob a correr e pede ajuda a mim porque “os irmãos da Cova estão a bater-lhe e eu conheço-lhes”. Nisso vem também o Gino ajudar. E eles realmente não lhe bateram mais. Não foi porque salvámos o Bob, mas porque eles não quiseram estragar a festa. Nessa altura não vi lá o Tekilla, mas foi daí que o Bob saiu ileso. Dois dias depois em toda a internet de Hip Hop de Portugal eu era o mandatário duma agressão ao Bob. Acompanhado de post do Bomba e outros apoiantes a dar força à vitima. Alguns dias depois sou informado que a 1ª Liga vai agredir-me com seguranças no concerto “ Hip Hop Tuga Stars” de Braga. E o Bob sempre sem esclarecer a situação. Se dependesse do “Menos luz, pão e água” o Bob não seria tão falado como foi. Portanto 2 estalos serviram-lhe como um excelente marketing. Depois todos os Hip Hopers racistas, nacionalistas e oportunistas invadiram os blogs a dizer tudo o que entenderam. E com isso a dita 1ª Liga viu mais um obstáculo sair-lhes da frente. Ninguém quis repor a verdade. Ninguém quis assumir que o Bob disse no Museu do traje que a maioria do rap dos guettos não prestava, entre outras bacuradas. Depois de transformar isto numa questão “branco/negro” passaram-lhe para “ cabo-verdiano/angolano”.
A seguir um cabo-verdiano, dois angolanos e uma timorense queimam o Bob e a Footmovin num som. Mais uma vez o fórum descontextualiza a coisa e põe metade da linha “ fuck Hip Hop Tuga, classe média branca no Mic”. E o que foi feito da outra linha a seguir “ classe média negra no mic”. Que versão da musica foi essa que nunca ouvi. E vem o Valete, que pensou que era para ele, com o celebre “haterz”, vitimar-se e apelar ao dialogo. Mas antes telefonou à Geny a ameaçar. Depois a pedir desculpas. E escreveu um texto sobre outra cantora quase como uma vingança pessoal a desvalorizar todas as outras cantoras. E vem o Bomba dizer uma série de parvoíces em sua defesa como se a historia do rap não estivesse repleta de disses a editoras.
E agora estão preocupados porque eles são acusados de apoiantes do PNR, acho isso ridículo, mas muito engraçado. “What goes up must come down”.
Podia bater agora no Bob, tenho razões que cheguem. Mas falo-ia sozinho Não iria da à Buraca buscar reforços para tal. Tinha suficientes na Arrentela. Mas para quê. Não sou assim. Talvez ainda lhe dê dois estalos. Mas sozinho. Não sou como eles que já contrataram segurança privada. No entanto, depois de tanto que mentiu, acho que tudo o que ele merece é o desprezo que lhe dei até agora. A ele e todos os que conglomeram a 1º Liga e todos os que apresentam candidaturas através de rituais de iniciação como “blowjobin” e “dickridin” e dizem ámen a tudo o que lhes é dito. No entanto sugiro que façam letras e estudem o que disseram até agora e façam como valete que depois dum vídeo Clip como o Anti-herói, vem dizer que nunca disse que era revolucionário e hoje sente-se humanista até com algumas posições próximas da direita. Um humanista que veja o seu vídeo ficará chocado. Sensacionalista sim. Oportunista, sim. De resto não vejo mais nenhum “ismo” associado a esses senhores que não o do “ego”. Disfarçado no marketing da revolução Bloguista e do culto do líder etéreo semi-deus.
Po caralho. Faz musica e vamos nisso. Quero debate publico também. De resto cala-te. Porque esses putos que tu enganas vão crescer um dia e vão te pôr em causa. É disso que tens medo e por isso distrais-lhes com as fraquezas dos outros para não se darem conta das tuas. Todos as temos. Não receies a tua própria queda a não ser que já saibas que não terás como te levantar de novo. Como tu mesmo não acreditas em Deus não sejas um.
Sim, sou “hater” de meias verdades ou verdadeiras mentiras. Lenine disse “Uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”. Foi a única coisa que aprendeste dele.
Brevemente 2ª Parte. Activismo: “O fumo das Panificadoras que não dão pão”
Chullage, Red Eyez Gang.