Rumores vs Verdades parte 1
Na mesma altura em que este artigo é elaborado, conceituados artistas do Rap português descem á terra para se certificarem que as suas falsas modéstias e benévolas imagens continuam a ser acessórios para apregoar uma revista cor de rosa aos soldados da plebe, com textos bem redigidos e eloquentes insinuando se numa posição mártir.
Seria necessário os mesmos artistas, com ideais tão convictos, concederem alguns minutos de aborrecimento com a existência de “haterz”?
Ainda que tenhamos a perfeita noção de que este artigo será alvo de muitos fala dares menos assertivos e conscientes de que haverá deturpação do nosso objectivo, este colectivo optou por quebrar o silêncio e, em uníssono, esclarecer alguns aspectos menos positivos que nos últimos tempos têm sido associados a nós, pelo simples facto de manifestarmos o nosso descontentamento e distanciarmo-nos de forma explicita dos mcs da 1ª Liga.
Basicamente temos sido conotados como bárbaros, racistas, frustrados e autênticos caçadores da fama perdida, não havendo qualquer tipo de interesse da parte dos nossos acusadores em procurar o que está para além da verdade que lhes foi imposta, e é nesse contexto que vamos combater a difamação com informação, o que quer dizer que vamos ser totalmente imparciais, não abdicando da culpa que nós também temos em alguns episódios desta mal escrita novela que tem vindo a ser o que um dia foi quase movimento de Hip Hop Tuga.
Comecemos pelo episódio em que alguns de nós, mais concretamente o Kromo Di Ghetto, Lbc e Hezbollah confrontaram Bob tha Rage Sense, pelo facto dele se recusar a admitir que num debate no Museu Nacional do Traje, ele tivera dito que o Rap Crioulo era francamente mau. Até aí o que poderia ter sido apenas uma conversa, tomou um rumo diferente e o Bob The Rage Sense foi agredido, é de salientar que só não foi mais agredido porque o Chullage e o Gino intervieram em seu favor. O que acaba por ser curioso já que o agredido, extremamente talentoso na arte de não assumir o que diz e o que faz, passa a mensagem de boca em boca, de blog em blog que o Chullage seria o mandante de tamanha crueldade. E esta é a parte em que todos rimos, pois é fácil de verificar que o jovem espelhou nos seus agressores, aquilo que ele realmente é: um pau mandado. Doravante tem-se desenrolado toda uma campanha com provas muito pouco fidedignas em que o Chullage é racista porque um amigo da prima que conhecia o avô do irmão diz no fórum Horizontal que ele se apresentava no msn como nick Fuck Pulas. Ora vejamos, nós gostariamos de interrogar ao amigo da prima que conhecia o avô do irmão como isto foi possível quando a pessoa em questão não usufrui dos serviços do msn. São várias as incongruências que surgem ao longo deste processo, o que só não vê quem não quer.
Passemos ao episódio em que God G, Geny, Magistrado e Chullage concebem uma música em que dão o seu parecer sobre os estado e a não evolução da cultura Hip Hop aqui por estas bandas, é este o episódio em que o Horizontal ceú desaba, alargando ainda mais o intervalo existente entre a nossa realidade e os rumores que circundam pela Internet.
Uma vez que supostamente a nossa cultura abraça a liberdade de expressão, surgem os que têm legitimidade para condenar os pseudo americanos, legitimidade para criticar todos os que não são considerados da 1ª Liga sendo cada vez mais notório que até o direito de dizer o que realmente pensamos é exclusividade de alguns. Os que não fazem parte desse grupo de alguns serão certamente bombardeados com os rótulos de oportunistas, invejosos, entre outras coisas. E é caso para perguntar porque é que uns podem e outros não? O que também é caso para perguntar o que é que uns fazem para puderem criticar os outros que não fazem? Confuso??? Passamos a explicar:
Mas lembrem-se que as eternas vítimas são aquelas que não mostram intenções em raciocinar.
Como vocês reagiriam se alguém do nosso colectivo (ou de qualquer outro que não pertença a 1ª Liga) alegasse ser anti-capitalista e posteriormente tivesse um texto a congratular-se por ter um dos sites mais vistos em Portugal, segundo a Revista Nova Gente? Revista Nova Gente? O que é que vos está a escapar? O que é que nos está a escapar?
E se alguém cuja premissa base do seu Rap fosse: eu sou o melhor mc, eu faço e aconteço no movimento, andasse a disputar quem tem mais views no Youtube? Será quantidade sinónimo de qualidade?
E ainda o que pensam do conceito 1ªa Liga ter sido imposto por cérebros que alegam ser servos do povo, ou seja anti-elites?
Quantos fãs de Norte a Sul do país ofereceram quantias pelo entusiasmo de assistir a concertos (com a confirmação e o nome do artista no flyer) e como recompensa receberam a seguinte resposta “Não curto exploração de imagem, sou só pensamento”...?
Inexplicação quebrada e controvérsia de mãos dadas quando o mesmo artista surge integrado numa playlist no canal MTV, e relembro uma de suas faixas “ por isso é que os playlistados não passam de marionetas, há muita gente a dar o rabo por isso tens de marcar , é só merda” ...
Estranho? Contraditório? Talvez uma táctica de gerar polémica e avidez ao seu trabalho a fim de eternizar os 15 minutos de fama?
Teremos nós uma memória curta? Afinal quem está a procura de glória?
De que distribuidora se queixam a maioria dos artistas de editoras independentes, após terem requisitado os seus serviços? Quem gere essa distribuidora?
Na presente situação em que o país se encontra, com uma percentagem de direitos humanos a serem desrespeitados e violados, o Rap é uma arma, e “as palavras são balas”, mas quem são os artistas que preenchem linhas com historietas surpreendentes com formas heróicas de assassinar indivíduos que desconhecem a sua existência?
Terá a morte de Bush um papel directo na nossa auto-salvação quando em Portugal residem Paulo Portas e neonazis?
Quem são os artistas que interpretam os “subúrbios” com frases como “bófias tem 7 vidas niggaz tem 8 balas”?
Será incorrecto pensarmos que o aliciar para a criminalidade é um recurso inconsciente para as minorias darem ao conhecimento a sua voz?
Nós pensamos que estas personalidades apresentam um grave défice de atenção e que o melhor seria ignorá-los e rirmo-nos porque um dia as máscaras caiem, disso estamos certos – um dia as máscaras caiem. Porém enquanto elas não caiem, esta gente vai-se enganando, vai manipulando e o pior vai dando as feições do seu real rosto a outros.
O que queremos dizer com isso é simples, acusamos de todas as formas, que os grupinhos que sem tem deleitado com as intrigas sobre nós, são precisamente o retrato fiel daquilo que eles dizem que somos, mas como somos generosos, retiramos a acusação do racismo, é que essa até para pessoas como vocês é uma acusação demasiado sórdida.
A vocês basta vos serem manipuladores, sanguessugas da fama, activistas de fachada, entre outras qualidades e quem se quiser defender terá todo o direito de o fazer, estejam descansados os mais cépticos que não havemos de agredir ninguém.
Deixando vos ainda com o pensamento: Apenas uma mente sombria julga reconhecer outras mentes sombrias.
Telma Escórcio / Geny Pereira
Lweji